24.7.10

Texto Real.

Eu acordo no escuro do meu quarto. Levanto, me visto, abro a cortina e deixo a luz entrar. Atravesso o corredor que da acesso a escada e começo a descer. A minha escada é em formato de U, e quando eu chego na curva, a falta da parede que deveria existir, me possibilita ver o janelão/parede que temos na sala aberto, e me vem toda a luz de um domingo de manhã, com passáros cantando lá fora, no jardim, a grama verde brilhando. Mas uns 3m, antes dessa visão bela, vem outra coisa muito mais bela. Na minha varanda, sentada no balanço que desce do teto, eu vejo o reflexo de um cabelo dourado brincar com minha mente. Lá estava ela, se divertindo com minha irmã, igualmente loira, me esperando. Eu desço a escada e vou falar com ela.
"Finalmente acordou, né preguiçoso?" - Ela me abraça e dá um ultimo empurrão na minha irmã no balanço. - "Espera aí. Eu tenho um presente pra você." - Ela coloca a mão num galho da árvore que temo em frente a casa e puxa uma caixa quadrada embrulhada num papel dourado e laçado com uma fita roxa. "Mas espere, você só pode abrir no final do nosso passeio".
Nós saímos, e vamos andar pelo Parque da Cidade, e ficamos brincando de pega-pega, inocentemente como crianças mais novas. Depois, estamos no Costa Azul, pulando pelo parquinho, de circulo em circulo, de árvore em árvore. Depois, temos que passar na casa dela e buscar um casaco, pois está esfriando. É inverno, o sol da manhã é temporário. Na casa dela, não paramos de conversar, ela é muito mais meiga e simpatica aqui comigo, do que na escola, e olha que lá já é o suficiente pra eu me apaixonar por ela. Nos vamos no Shopping ir almoçar e paramos numa dessas Steak Houses. Eu peço uma coca-cola que nunca chega. Durante essa nossa espera, ela vem e me beija. E me beija. E se declara. E eu me declaro. E nos abraçamos. Juramos ficar juntos para sempre e somos interropidos por um garçom costrangido que carrega uma Coca-Cola. Eu e a garota trocamos sorrisos envergonhados enquanto nosso garçom derrama a Coca dentro do copo. Então ela levanta. E Olha pros lados. E me beija. E diz para eu abrir o presente. Mas não. Eu não quero. Isso significaria que seria o final do nosso passeio. Mas não. Que não queria. Ela me beijou apressadamente e mandou eu abrir logo, pois ela tinha que ir. Que ia me ver na escola de qualquer jeito. Que "ela" não podia saber que ela tinha vindo me ver. Mesmo não querendo, eu desfaço o laço roxo. Mesmo não querendo eu acordo. Mesmo não querendo eu choro e percebo que apesar de minha vida ter sido perfeita nos ultimos dias para mim, eu ainda não tenho o que quero.
24/07