10.2.15

O Príncipe (um)

    Existia um príncipe. Havia uma festa. Música tocava entre quatro paredes. Dançavam pessoas desconhecidas ao olhar do protagonista. O príncipe, que permanecia estático, ponderava sobre o motivo daqueles estranhos e estranhas estarem tão felizes. Ou tão tristes. Ele não sabia como fazer para concentrar o olhar em um único ponto, de forma que não constrangesse acidentalmente alguém ao seu redor. De forma que não constrangesse a si mesmo. E ali não havia nada de novo, nenhuma novidade. Havia quem dissesse que esta era a primeira vez do jovem em tal ambiente, mas era mentira. Acontecia apenas um estranhamento perpétuo. O príncipe se tornava apenas movimentação arrítmica  de destaque dentro de um coração pulsante.
   Numa outra parede, desconhecidos familiares também são observadores encostados em outras paredes. Ao se unir a este grupo, o jovem dono da história apenas se frusta ao perceber que ninguém naquele meio parecia se importar tanto com o estudo daqueles que pulavam incansavelmente. Sentia-se estranho e sozinho. Mas havia decidido não voltar para casa até se sentir bem.