22.9.13

Não era a toa que Renato era um chato.

Aquele ar laranja me embriagou por quatro dias e algumas horas. Corpos amigáveis me guiaram e me seguiram ao lado dos meus sorrisos. Palavras, todas pensadas bastante antes de serem ditas. Todas apaixonadas com o que carregam. E de repente eu percebo que  no meio do ar molhado, azul, mas tão quente quanto esse, não me encontro com quem segura minhas mãos. Com quem quer. Acho diferente. Não me acho parte daquilo. Novamente. Não sei se é só por hoje. Mas é. Sempre é. Esperamos conseguir dar uma chance para que nos deem uma chance.


- Little Quail and the Mad Birds. Não acredito. 

12.9.13

Ela-Lírico

      Sonhou com os olhos na parede e na voz que lhe apareceu quando o sol ficou em cima da janela. Chorou durante o banho, pra não contar pra si mesma que aquelas águas eram suas. Preparou os dias e se decepcionou com a rotina que lhe tomou conta. Buscou palavras para conseguir bons dias de quem lhe aponta armas nas costas e possui mínima vontade de saber o que acontece além de si. Fingiu que aquele dia foi o suficiente para lhe fazer ficar bem.
     Reclamou do lixo, das poças, dos buracos, dos palavrões, das cantadas, do gosto da comida, da vassoura, do cachorro, do sapato, das roupas, da mochila, da carteira (principalmente) e convenceu a si mesma que não lhe querem bem.
             Busca motivos, mas não abre mais as gavetas.
     Vai ser melhor que eles, basta ser mais responsável como eles não são. Basta tudo. Basta, tudo!
     Acima de tudo,             .
     Acima de tudo,
as águas não são minhas. Nunca serão.

8.9.13

Não mais.

Nós odiamos odiar alguém.
Eu odeio não ter motivos.
Infantil, cresço com espelhos.
Cercado de cores, uma vez me escondi.
Na maioria, paro de olhar pra vocês.
Calma.