13.6.13

Onze de Junho

       De tanta nuvem, de tanta água, o azul domina os olhos. De tão cedo que adormeceu, agora, ele está disposto. Mas não está preparado. Havia esperado por esse dia o ano inteiro. 
      Era aniversário de um tanto de coisas. Era o refluxo de um tanto de memórias, de sentimentos. Lembranças cheirosas, suadas, carregadas com sonhos e planos que desmoronaram-se sozinho. Não há culpa em ninguém. Também se lembra o início daquela vida. Foi neste mesmo dia que entrou numa van as 3 da manhã e foi trabalhar pela primeira vez. Os fios de cabelo que ficassem na cama. Era hora de se dedicar sozinho. Mas depois que o trabalho acabou, a mente se esvaziou e um tanto de pensamentos tristes haviam lhe tomado. 
      Que sorte ter tantos companheiros com quem pudesse gritar todas as verdades que temia em admitir, e guardava para si.
      Levantou e fugiu de sorrisos o dia inteiro. Só colocou músicas tristes. Afinal, o dia com certeza nunca seria tão especial como já foi.

    Aquela melancolia perdeu todo seu espaço, junto com as danças que via as pessoas fazerem. Arranjou conversas com quem nunca havia trocado olhares. Buscou em suas piadas, risadas e força. Venceu de vez, quando pediu abraços e explicou o porquê da cabeça baixa. Fez o seu melhor para fazer com que rissem junto com ele. Perdeu a voz de tanto gritar. Se ajeitou na cadeira e olhava discretamente para um novo sorriso. 


Un! Deux! Trois! Dis: Miroir Noir!
Black Mirror!

4.6.13

Que nem os textos antigos.

Ainda me traz aperto, ainda me sinto como se fosse tão perto de ser perfeito e suas imperfeições não combinam comigo. Ouço minhas amigas que me abaixam a cabeça e me abraçam me afirmando mais algumas vezes que "vai ficar tudo bem, cara".

Eu sei mesmo. Mas aqui estamos, em momento melancólicos, sozinhos, nos abraçando. Você na sua cama, eu de frente pro meu armário.

Dentro do meu armário, meu computador, pra quem não se lembra.


A Grécia era tão bonita.
Meu corpo era tão bonito.
Você era tão.

Pra onde foi a cor daquelas nuvens gordas?
O mês é o mesmo e a história é tão diferente.

Ainda te projeto, mesmo sem tua face, mesmo sem tua voz.

Pra onde foi aqueles apertos de mãos abaixadas, no meio da multidão?
Um dois de fevereiro bonitinho.
Que no entardecer, trouxe ela.

Te observo e te acho bonita, tão apaixonante ainda.



E você, dos textos depressivos.
Que deveria ter colocado essas coisas pra fora comigo.
Era tudo que eu queria.
Tenho medo que me avise de ultima hora que "não vai dar pra sair."

Machuca também.




Que nem os textos antigos, este, cheio de indiretas, que espero que permaneçam silenciosas, mesmo que lidas.
O fundo é preto, com linhas brancas.