30.8.13

Sono

Me disseram que todo dia
Era dia de poesia
Fui abrir a porta
E me jogaram água fria

Teu sorriso acalmou
Seu calor esfriou
Minha vontade de ser teu
Jamais me deixou

27.8.13

Vômito

Vamo lá homem! O frio da sua barriga não para, seus olhos não fecham, sua mente não descansa. Mas olha ao teu redor! Não tem mais motivo pra isso. Percebe os sorrisos nos lados do teu ombro. Não, não, não! Não diz que você está sozinho se é você que está fechando as portas e as janelas!

Diário

    Todos os dias eu tento te criar histórias. Quero passar por palavras os nossos dias. Sentimentos e vontades que eu sei que não são só meus. Todos os dias eu fico entediado. Todos os dias me perguntam como anda meu trabalho.
    Mas não me lembro de sentar. Não me lembro de só me levantar quando eu acabar de escrever. E todas as palavras perdem seu significado. Todos os segundos eu me critico por não tentar. Todo momento eu canso de ser. As vontades no meu dia se confundem, mas normalmente teus desejos são minhas prioridades. Você deveria morar na minha cidade pra ver como é.
   Todos os dias eu sinto falta dos meus amigos. Mas ontem de noite quem não falou com eles fui eu. E quando foi a ultima vez que chamei um deles pra sair?
   Estou dormindo, mas dramatizando tudo. Em análise, estou bem. Pelo menos agora tenho quem me abrace, mesmo que seja apenas dois de sete dias. Faz parte. Estou escrevendo de azul, pois azul tomou conta das minhas pernas. Minhas pernas vão subindo uma ladeira, pelo menos. Eles dizem que eu poderia seguir pela reta. Mas daqui de baixo eu enxergo quem já chegou lá em cima e quero estar perto deles.
   Seus dias cansados serão merecidamente recompensados. É tão difícil aguentar. Seres humanos tiram minha esperança na maioria das vezes, mas entre eles, você é incrível.

25.8.13

In-isso, In-aquilo

Me pego acordado numa meia-noite qualquer. Debaixo de estrelas. Estrelas que me entrelaçam com suas caudas de luz e seus sorrisos branquelos. Você também é estrela. Mas eu gosto de me lembrar de você como meu Sol Negro. Uma noite densa, pesada, com muita dificuldade para respirar, dois pares de mão intensos que querem dizer um para o outro o quanto gostam de estar ali naquele momento, naquele segundo, naquela respiração. Ali está tudo bem.  São tantas visões. São tantos significados passados pela luz. Pelo seu som
Te seguro pela mão. De quantas formas podemos fotografar esse momento?  Você reparou nas pessoas ao nosso redor? A cidade com seu chão metálico vibrante, instável. Teu sorriso, que me segura no ar, que me deixa voar, que não me permite sonhar com o mundo das dores.

18.8.13

APOCALÍPTICO

Tem momentos que eu não faço nada. De verdade. Nada. E tudo que minha mente consegue fazer é pensar no quanto eu sou inútil.
(LETÁRGICO)
(VEGETATIVO)
E eu sou "normal". Quando penso em seres humanos, penso naqueles que não possuem condições de quebrar esse sintoma. Sejam aqueles que não conseguem se levantar e sair debaixo da ponte, ou aqueles que só fazem encarar a tela de um computador, sempre abaixando a página e sem sequer pensar no que vão fazer para que suas vidas sejam felizes. Felizes de verdade. Ontem no colégio tivemos que fazer um "projeto de vida". Como você quer estar daqui a 5, 10 anos. Vi as pessoas do meu lado escrevendo que esperavam já ter acabado a faculdade de medicina e estar conseguindo se sustentar.
Eu respondi que quero ter barba.
Eu respondi que não importa o que eu esteja fazendo, quero estar feliz.
(HIPOCRISIA TALVEZ)
Sou classe média, branco, burguês. As pessoas daqui ao não saberem o que querem fazer, domesticadas como foram, se forçam a acreditar que amam medicina.
(EU NÃO SOU MELHOR QUE NINGUÉM)
(NINGUÉM)
Estou apaixonado. Quero carregar ela na minha vida. Quero ser carregado.
(AS VEZES MEDO)
Não vou repetir o que deu errado.

17.8.13

Reds

Heart-shaped smoke
In my room
You don't go out
Out in the moon

A model-look
Drew with chalk
My dreams are blue
And ours stars don't walk

I won't go out
Tonight to your bar
The road is gone
People have gone too far
I hold your hips
I bite your lips
But this headache
Make me sleep

Now they fall
The last leaves
My history is wonderful
If you believe

I wouldn't trust
My body no more
Some feelings are coming
And they're going to talk

I won't go out
Tonight to your bar
The road is gone
People have gone too far
I hold your hips
I bite your lips
But this headache
Make me sleep



14.8.13

Cadê?


Violão
Microfone
Câmera (SemiPro?)
Reprodutor de Música Portátil (AKA iPod)
Scott Pilgrim 3
AM 10 de Setembro
Queens of the Stone Age Vinil ...Like Clockwork


Barba ia ser dez.


Alguém tem tempo sobrando?

13.8.13

Não, pera

Ah senhorita... Eu quero ser sua parede.
Pra você me destruir com um chute violento.
Pra você me acertar com uma marreta de ferro.

Você não pode suportar tudo isso sozinha.
Eu não vou deixar.
Vem se deitar mais uma vez, só por dez minutos.

Moça, eu quero ser sua pedra.
Pra você atirar longe na cabeça de todo mundo que merece.
Atirar longe, mas com precisão.

Me abraça forte.
Me rasga forte.
Moça, me deixa ser seu papel.

Desenha em mim.
Canta aqui.
Me abraça forte.

Eu quero ser seu horizonte.
Pula aqui.
Deixa que eu te carrego.

8.8.13

Ceci n'est pas une scénario.

Um se aproxima com mochila nas costas, barbudo e cansado. Outro dorme. Um derruba a mochila que faz um grande barulho e acorda Outro.

- Oi cara.
- Mano que porra é essa você não aparece aqui tem muito tempo!

Cigarro. Pausa. Fumaça. Esgueira-se no parapeito da janela.

- É né?
- Escreve alguma porra! Sua vida ta aí rolando a 200porhora e você perde toda a poesia?
- Nada demais me vem a cabeça.
- E seu namoro, que tá de volta e deixa você todo feliz? E os dias da semana que se arrastam pesados, te dando porrada nas costas e na garganta? As palavras bonitas as nuvens as vírgulas e toda essa merda que você nunca tira da cabeça 25horas por dia?! E a vontade de fugir de tudo de todos de ficar em cima de uma árvore e salvar o mundo sem fazer nada?
- Me desculpa. Eu sei que você ta chateado. (...) Mas eu você viu que eu tentei escrever várias coisas várias vezes.  Mas sei lá, não senti que as palavras saíram da forma que deveriam sair.
- Você não é nenhuma porra de gênio literário mesmo.
- Mas eu deveria! Ok, isso é burrice de se pensar ou de se falar. É só... É só que com tantas palavras, com tantos sentimentos dentro de mim... ficar encarando aquela folha em branco me irritou. Talvez eu esteja vivendo tanto que nem tenha tempo pra pensar!
- Que coisa estúpida de se dizer.
- E não eram realmente momentos em que eu deveria estar escrevendo essas coisas. Eu tenho que estudar, sabe?
- Você não estuda! Aproveita, que você só faz o mínimo do mínimo, e produz alguma merda, mesmo que seja muito ruim!
- Pra quê? Quando acaba, eu só quero deitar e ler um livro, jogar meu videogame...
- Assim você deixa de ser produtor pra ser consumidor. Pra ser platéia. E esse não é o sonho. Você ta esquecendo? Você...
- Nunca deixei de sonhar em produzir. Em mostrar algo que seja meu. Nunca vou deixar.
- Tá, você não sabe disso mas foda-se, esse é o espirito. Escreve!
- Vai ser uma merda, ninguém vai ler porra nenhuma.
- De tanta merda, você acha ouro. Não literalmente. Não sei, podemos tentar, se estivermos bem loucos.
- Fica marcado.



Meia hora depois.

- Cara você não terminou aquele texto.
- Eu nem escrevi um texto, só joguei uns diálogos num teclado.
- Ta faltando desenvolvimento e essas merdas.
- Deixa pro Enem.