25.12.14

Autobiografia2014

        Houve um momento em minha vida que eu percebi que a partir dali, tudo iria ser sempre melhor. E colocar isso na minha cabeça sozinho, sem a aprovação de ninguém deve ter influenciado muito minha vida e minhas decisões. Em dois mil e nove, percebi que tudo havia mudado, assim como no mínimo mais sete pessoas também haviam percebido. Um ano depois, já sabíamos que seriamos muito próximos, muito saudosos, reclamões, felizes, tristes, e que viveríamos várias "primeiras-vezes" juntos. Já estava ali escrito. Eu sei que é pouco tempo para medir e pouco tempo comparado com tudo o que ainda vai vir. Mas é mais ou menos sobre isso. Naquele ano, eu decidi que todos os anos que viriam seriam melhores que os anteriores. E já vou entrando no sexto ano em que isso parece estar acontecendo.
       
      Viajo sozinho pela primeira vez, para Porto Alegre pela primeira vez. Conheci gaúchos. Não havia passado na faculdade ainda. Viajo para Tiradentes-MG, junto de Depois da Chuva. Tio João estava lá. Viajo pra Rotterdam na Holanda e passo uma semana com Cláudio, Mari e Sophia, conhecendo gente e cinema novo, junto com nosso filminho.
    Volto pro País, viajo pra ilha particular de um amigo com minha galera. Passo na faculdade. Raspam meu cabelo. É minha primeira vez com cabelo curto em dezoito anos. Busco uma casa própria, conheço gente nova, crio uma nova amizade com Camila (que também é Gregório). Busco sempre ouvir o que ela tem pra dizer sobre todas as coisas que nunca ouvi ninguém falar. Viajo de graça pra São Paulo, me hospedo na casa de um amigo, vejo The Jesus And Mary Chain num show gratuito, junto de um casal de amigos queridos.
   O ano levou muita gente querida embora, mas aprendemos a continuar aqui por eles.
   Violão pela primeira vez. Wii U. Uma câmera. Um microfone. Conheço Ananda. Começa a Copa do Mundo no dia dos namorados. Viajo pro capão. Faculdade começa depois da Alemanha ser campeã. Conheço professores bons, professores ruins, colegas novos. Me sinto efetivamente aprendendo um monte de coisa nova e amando tudo isso. Volto pra Porto Alegre, dessa vez levando Tsu comigo. Vemos Queens of the Stone Age. Filmo um primeiro curta com os colegas da faculdade. Férias. São Paulo novamente. Arctic Monkeys pra gente, juntos. Salvador novamente, me bato com um ídolo na frente de um bar escondido no meu bairro. Férias. Férias. Sandman completo. Vem 2015, ser melhor que 2014.

17.12.14

Lista de ano novo.

       De onde surge a necessidade diária de fazer o que você deseja fazer? Velha pergunta, velhas histórias. Sinto-me inevitavelmente cíclico. Me assusta o fato de meus amigos estarem também neste momento escrevendo sobre roteiros e histórias que não ando me sentindo capacitado para realizar. E ao ser esquecido, como farei? A fortuna que tenho se espalha em cheiros distintos. O medo segue o mesmo: pode ser que eu tenha errado o caminho e tenha que voltar lá pra trás. Ainda não é hora de tais crises, mas quem sou para escolher o quando e onde das indagações temerosas?
        Mas aqui está esta página virtual. Blog. Um lugar onde consigo publicar meus piores e mais envergonhados pedaços de pensamentos, indelicados e diretos. Censurados pela pequena ditadura no meu cérebro, as vezes. Já faço isso tem quatro anos e de algum tempo pra cá, notei um tipo de padrão. Busquei escrever da mesma forma, sobre os mesmos assuntos de formas diferentes, com voltas e virgulas repetitivas. Recentemente, categorizei todos os textos que aqui já foram publicados e decidi que se já estou publicando alguma coisa na internet em vez de estar escrevendo no meu caderno, é porquê quero que todo mundo veja mesmo. Quero num desejo silencioso e cuidadoso de que isto se torne um qualquer coisa num futuro. Futuro este que não tenho ideia do que representa.
       Planejo 2015 com listas, com planilhas, power points, discussões e confissões. Tento ser alguém que para de reclamar e faz. Para de reclamar e faz. Parar de reclamar e fazer. Escrevo num blog, tiro fotos, estudo cinema, jogo videogame, leio livros e quadrinhos. Pedro Maia chega logo.

9.12.14

Caça

                 Carregava só em seu ombro, com todas as forças que possuía. De alguma forma, conseguira preparar, mirar e atirar: fogo! O leão estava morto e seu corpo agora lhe pesava as costas. Seria alimento para mais de uma semana. Mais de um mês. Quem sabe, sua vida inteira agora mudaria, pois o leão estava morto. A fome até o acampamento lhe contorcia as vezes, mas não haveria com o que se preocupar. Seus companheiros provavelmente nem notariam a diferença. As regras eram claras, cada um come apenas aquilo que caça, e mesmo que tentassem, era impossível dividir qualquer coisa com qualquer um. Não naquele espaço. Chutou uma pedra que surgiu no meio da estrada e quase se desequilibrou.  Mas com tanto caminho a percorrer, não era hora de parar. Ao seu redor, hienas começaram a surgir no topo das encostas. Olhos verdes o acompanhavam, com risadinhas que demonstravam inveja. Nenhuma daquelas hienas poderia roubar o leão. Mas com a inveja que elas tinham, poderiam facilmente derrubar quem carregava o cadáver. Atacaram. Atacam desde sempre, já sabia. Deixou o leão no chão e se preocupou em se defender. Errou.
                 Moscas que já estavam perto de sua cabeça, agora se encontraram facilitadas para depositar seus ovos no corpo que jazia. Se desconcentrava enquanto se defendia de ataques inúteis. Deveria ter apenas corrido sem olhar para nenhum daqueles seres maldosos. Naquele dia, se conseguisse escapar das hienas, chegaria no seu acampamento e conseguiria perceber o real tamanho do leão que havia matado. Do quinto leão que havia matado. Os dias se passavam. E todos os dias perdia seu alimento para aquelas terríveis hienas. Haveria de aprender uma nova forma de se alimentar.

8.12.14

Explicações

Complicado falar sobre as ideias. Estruturei um texto bonito e sincero, mas no meio do caminho percebi o quanto eu estava exposto. E a minha exposição me desabriga. Então no meio de um texto que já estava com mais de quarenta linhas, eu disse “não” e apaguei todos os caracteres. Neste texto, eu tentava passar para o leitor, como eu, um moleque de mais ou menos dezenove anos, anda tentando catalisar e absorver suas próprias ideias. Essas inspirações vindas do cotidiano e de tudo o que há de mais comum. O quanto é difícil. E depois, apenas fútil e desnecessário desabafo. Apenas estou num momento. E uma sombra me estende a mão enquanto sussurra que o caminho vai bem.

2.12.14

Aquário

          Saiu de casa em busca do encontro com uma amizade que lhe faria sentir bem. Merecia se sentir bem, poderia se sentir bem. E mesmo assim, a cidade não quis lhe ajudar naquela terrível terça-feira, em plena três da tarde. Chegou com quase uma hora de atraso e os números que verificava sempre lhe mostravam que não dá pra mudar nada do que já passou. As pessoas que lhe olhavam, você jurava que notavam seu novo corte de cabelo e estranhavam não só suas roupas, mas o seu olhar de superioridade. Estava sozinha e estranha no meio de dezenas de vitrines parecidas e repetitivas. Sem créditos e sem bateria, culpava a si pelos descuidos no dia anterior. Não conseguia encontrar sua amizade antiga que há muito tempo não ouvia a voz enquanto lhe olhava nos olhos em tempo real. Não haviam marcado um ponto de encontro. Era sempre assim, já sabia. E então os números de outras telas continuavam a lhe mostrar que o tempo só consegue ser acumulativo. Havia trabalho e até lazer acumulado, mas principalmente a primeira opção lhe doía mais a cada instante que se encontrava parada sobre seus dois pés, enquanto podia jurar que até os seguranças do local começavam a estranhar sua presença. Agora tu eras apenas mais uma ovelhinha que estava ali com dinheiro de sobra, que se vestia bem para chamar a atenção de algum novo olhar numa esperança antiga que fazia você se envergonhar de quando era dez anos mais jovem. E ali envelhecia. Quantas vezes prometeu nunca mais pisar naquele tempo consumista?  Andou em busca da saída, era tarde para amizades. Já ensaiava o discurso em duas versões, uma irritadiça e incomodada, e outra para semanas mais tarde, envolto em risadas e comentários que repercutiriam simpatia e identificação dos outros. Os outros amigos. Mas já que já estava ali, por quê não uma visita a livraria? Só para ver se havia algo de novo, algo de bom, algo de preço pequeno, algo que lhe fizesse não perder a viagem por completo. Andou buscando disfarçar a mudança de objetivo, da saída para a livraria era uma volta e todos agora saberiam que estava realmente sem ter o que fazer. 
            Até que aconteceu uma loja de animais. Uma vitrine como todas as outras que odiava e com um quê a mais: animais em sofrimento expostos para serem vendidos, da mesma forma que escravos foram (e talvez ainda sejam) vendidos. Cachorrinhos e gatinhos. Lhe dava pena, os animaizinhos tão fofinhos ali. Não havia dinheiro para adotá-los. Não havia paciência para denunciar a loja ou algo do tipo. Mas notou um aquário. Se lembrou aquele que um dia teve e que agora estava sem água e sem peixes no fundo do seu armário. Nunca soube o por quê de nunca ter jogado aquilo fora. Tivera um pequeno peixe há mais de 10 anos que não durou muito tempo por falta de atenção. E no aquário da vitrine da loja estavam vários peixes, robustos, coloridos e exóticos. Mas havia um pequeno peixe, que mal conseguia nadar e que até hoje você não sabe o motivo de como justamente este lhe chamou mais atenção. Foi um impulso extremo. Perguntou se o pequenino peixe estava adoecido e o vendedor lhe disse que não. Por que estava assim apático então? Apenas não gostava do seu aquário. O impulso foi gigantesco.  Comprou aquele peixe ridículo e o levou no ônibus consigo, sempre o protegendo do sol. Era um peixe de água salgada, e tudo que não faltava naquela cidade era o mar. Foi apenas uma loucura sem sentido, uma escapada da monotonia dos dias, mas até hoje sente que aprendeu algo com aquele momento em que libertou o tal peixe, e ele raquítico como se apresentava na vitrine de uma loja, nadou naquele momento com velocidade espantosa. Teus pés humanos estavam parados e mergulhados na água do mar e o peixe não era mágico nem nada do tipo. No momento em que foi posto na água, se libertou e fugiu para longe.
           Aquela amizade que não havia aparecido, também havia apenas se atrasado com o trânsito que nem você e pensou mil maneiras de pedir desculpa, justamente que nem você, e dias depois contaram o que aconteceu com cada um. Mas você não contou sobre o peixe. Guardou apenas para você e até hoje se lembra daquele primeiro momento. Fez algumas viagens meses depois. Aprendeu coisas novas. Não é como se houvesse se tornado um defensor dos animais nem nada. Suas fraquezas e egoísmos humanos haverão de sempre existir. Mas até hoje, lembra que nada daquilo estava planejado previamente. Que em um dia sujo e monótono como qualquer outro, você teve coragem e conseguiu libertar um peixe. E foi tão fácil. 

1.12.14

Vida verde-ainda

Já pensou na hora de botar em prática?
Assustadoramente, encaro meu teto e penso mais uma vez na sorte que tenho. Já vim com tudo pronto, e até um pouco mais. De herança, tenho estantes recheadas com diversos cérebros que já falaram metade das palavras do mundo, músicas compostas por metades dos arranjos possíveis do mundo. Acredito levemente que ainda estamos na metade. Ainda existem idéias para serem compartilhadas e eu não preciso invejar Gaiman nem Homme. Mas hoje, literalmente hoje, decido se pego uma folha em branco do caderno ou se busco mais acervo para minha mente, mais referências pra minhas mãos. Engordarei no processo, provavelmente? As obsessões nunca se aliaram a minha causa. A curiosidade nunca me levou muito fundo nesses mares. Racional e emocional lutam desde sempre aqui e aí também. E no meio de desejos pensacionais, me vem gente que eu me importo, quero bem e quero comigo. Acontece também aí. Na hora de botar em prática o que eu faço? E quando eu quiser chorar, onde me jogo? Eu sempre já falei tudo que já queria repetir e você sempre já ouviu muito mais do que queria que eu dissesse. É comum que enquanto isso aconteça, nenhuma palavra é escrita diretamente no gelo. Tem tempo no meu olhar e tem pouca tinta no meu papel ainda.
Dinheiro é preciso...