9.12.14

Caça

                 Carregava só em seu ombro, com todas as forças que possuía. De alguma forma, conseguira preparar, mirar e atirar: fogo! O leão estava morto e seu corpo agora lhe pesava as costas. Seria alimento para mais de uma semana. Mais de um mês. Quem sabe, sua vida inteira agora mudaria, pois o leão estava morto. A fome até o acampamento lhe contorcia as vezes, mas não haveria com o que se preocupar. Seus companheiros provavelmente nem notariam a diferença. As regras eram claras, cada um come apenas aquilo que caça, e mesmo que tentassem, era impossível dividir qualquer coisa com qualquer um. Não naquele espaço. Chutou uma pedra que surgiu no meio da estrada e quase se desequilibrou.  Mas com tanto caminho a percorrer, não era hora de parar. Ao seu redor, hienas começaram a surgir no topo das encostas. Olhos verdes o acompanhavam, com risadinhas que demonstravam inveja. Nenhuma daquelas hienas poderia roubar o leão. Mas com a inveja que elas tinham, poderiam facilmente derrubar quem carregava o cadáver. Atacaram. Atacam desde sempre, já sabia. Deixou o leão no chão e se preocupou em se defender. Errou.
                 Moscas que já estavam perto de sua cabeça, agora se encontraram facilitadas para depositar seus ovos no corpo que jazia. Se desconcentrava enquanto se defendia de ataques inúteis. Deveria ter apenas corrido sem olhar para nenhum daqueles seres maldosos. Naquele dia, se conseguisse escapar das hienas, chegaria no seu acampamento e conseguiria perceber o real tamanho do leão que havia matado. Do quinto leão que havia matado. Os dias se passavam. E todos os dias perdia seu alimento para aquelas terríveis hienas. Haveria de aprender uma nova forma de se alimentar.

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