9.5.12

Persepção de Tempo e Espaço.

Ônibus. Seis e quarenta e seis. Eu voltando pra amaralina. Você, indo pra ondina.
Orla da Dinha. Olhares se cruzaram. Bocas e olhos se espantaram.
Sorrisos e beijos rápidos são formados.
Um segundo, talvez dois.
O tempo parou naquela noite.

Como é possível?

Mas que dor. Que dor desgraçada. Como é que é possível? Morar na mesma rua do meu amor e estar tão distante assim?
A culpa não é minha. A culpa não é dela. Que injustiça. Que dor. Essa falta de gente a quem culpar irrita mais do que qualquer outra coisa.
Ficamos ameaçados e amedrontados. Um calado.


E você, sei que somente por frustração e por não saber pra quem demonstrar isso, desconta em mim. Mas que ciclo vicioso.
Quem está de fora acha que não é nada demais passar um dia sem você. Acham bonito o 'romance de adolescente'.
Queria eu que fosse só isso.


Aliás, queria não. Quero mesmo é acabar com essa solidão e morar logo com você. Que seja pra não te ver com a luz do sol, mas com a luz da lua. Que eu durma em teus braços e você nos meus.


Mas meu amor. Para isso eu preciso que você não tenha medo. Não se esqueça que sou eu quando falar comigo. Lembra que isso de agora é besteira, e finge que dois dias, duas semanas não é nada demais. Respira e fecha os olhos.

Que quando abrir, vai estar acordando do meu lado.