toda minha poesia tu tem tirado de mim
os planetas, as estrelas
o futuro, os gatos e cachorros
tantos choros
toda minha poesia tu merece
toda poesia do mundo quero te dar
se isso bastar
vou estar e ser do seu lado
que me lembra de mim
me deixa lembrando de tu
alguém que sou
enquanto andamos pelas ruas dessa sua cidade
e você vai me ensinando
outras poesias, outras letras
do tamanho do universo, da infinitude das galáxias
que giram ao redor e dentro de você
o futuro se avança e nos engole
debaixo de um oceano mais silecioso
que ensurdece
ondas
pedras
colidem-se e se beijam abraçados por estrelas
21.10.16
25.8.16
férias
Você ainda precisa viajar. Organizar tudo que quer fazer. Treinar todo dia. Ver filme todo dia. Tu deveria pegar mais nessa caneta. Riscar essas páginas confusas que ficam se espalhando e fazendo com que você nunca mais leia seus próprios textos, perdidos entre tantas páginas que você apenas vê como brancas hoje em dia. Viajar de onde?
Eu quero ser- que besteira, ao invés de não ser quem és. No final? Quem é que estará fora de casa, eles vão aonde? Será que eu ainda consigo ver o Sol fazer seu arco todos os dias ou o Céu não se muda mais, mesmo numa hora dessas. Ainda é a lua que atrai a maré, empurrando e puxando eternamente, cheia e em todas as suas faces, idênticas apenas para ela que não se vê iluminada pela luz que vem distante do protagonista do sistema solar. Eu não mergulho a noite, pode perguntar para qualquer um. Preciso olhar meu corpo para nadar; nadar; nadar que é igual a respirar naqueles momentos que tudo que escutamos é apenas um chiado constante. Toda a areia que existe no mundo se movendo, se arrastando como nós, entre tudo que acreditamos existir. E tudo existe tanto.
Existem até beijos que caem dos céus, avermelhando tudo. Beijos que continuam beijos, mas que se tornam carinhos, e entre beijos se tornam feitiços recitados por sílabas em português comum, os beijos que no fim se tornam mãos entrelaçadas. Vibra em rubro, sem rumo,
nada para de acontecer nunca.
Eu quero ser- que besteira, ao invés de não ser quem és. No final? Quem é que estará fora de casa, eles vão aonde? Será que eu ainda consigo ver o Sol fazer seu arco todos os dias ou o Céu não se muda mais, mesmo numa hora dessas. Ainda é a lua que atrai a maré, empurrando e puxando eternamente, cheia e em todas as suas faces, idênticas apenas para ela que não se vê iluminada pela luz que vem distante do protagonista do sistema solar. Eu não mergulho a noite, pode perguntar para qualquer um. Preciso olhar meu corpo para nadar; nadar; nadar que é igual a respirar naqueles momentos que tudo que escutamos é apenas um chiado constante. Toda a areia que existe no mundo se movendo, se arrastando como nós, entre tudo que acreditamos existir. E tudo existe tanto.
Existem até beijos que caem dos céus, avermelhando tudo. Beijos que continuam beijos, mas que se tornam carinhos, e entre beijos se tornam feitiços recitados por sílabas em português comum, os beijos que no fim se tornam mãos entrelaçadas. Vibra em rubro, sem rumo,
nada para de acontecer nunca.
13.7.16
Preciso, Quero e Comprarei.
- Acho que não gosto deste caderninho vermelho que adquiri no mercadinho por 6,90. Achei que não me importaria com seu tamanho mediano, suas margens apertadas. Me importei muito. A caneta esferográfica azul também não ajuda em nada, sinto falta do negro do nanquim. Que engano achar que me bastaria qualquer superfície para que viessem as ideias. A falta de organização então seria apenas minha culpa se estas páginas fossem maiores, sem linhas horizontais, num amarelo-bege, com uma bela espessura e cobertas e protegidas por uma bela capa de couro falso e negro, com ergonometria calculada especificamente para as minhas mãos. Este seria o caderno perfeito, e por apenas 399,90, possuo o sonho dos meus sonhos de consumo, que digitaliza tudo que nele for rabiscado escrito e desenhado automaticamente para minha conta na nuvem mais próxima. Agora sim me tornaria um novo Nobel de literatura (apesar de nunca ter visto um utilizar um destes cadernos). Me aceito como sou, graças ao produto! Quero mais e mais, personalizado para mim. Deve ser exclusivo para mim, assim como este autógrafo de quem realmente importa e não me conhece, mas que consegui após passar três horas em pé numa fila. Quem amo existe e olhou meu rosto durante preciosos quinze segundos, que esbanjarei até o resto dos meus dias. Depois do meu novo caderno, poderei então passar o resto dos meus dias onde é seguro, junto de tudo que existe para mim. Preciso, preciso, preciso também de cadeiras novas, mesas novas. Agora poderei escrever o livro que ninguém lerá.
10.7.16
vontade de estar pronto.
É difícil colocar uma caneta na mão depois de tanto tempo sem vontade, e querer exigir de si as palavras e frases mais bonitas e bem formuladas quando se quer falar das coisas mais simples que todo mundo já sentiu, já passou, já falou sobre e principalmente, já escreveu. Não entendo ainda de onde as comparações surgem em nossas cabeças, mas não deixo de pensar nelas e me sinto ainda mais burro por isso.
A vontade é uma praga, pois o que já não tenho vontade nenhuma é de me expor, nunca mais, e então nada surge de novo para mostrar para ninguém. Erro. Minhas próprias escritas sou eu mesmo que dou risada das pretensões disfarçadas de humildade de um garoto que passou a maior parte de sua vida protegido por mais do que quatro paredes. Não havia perigo nenhum, nunca há, aprendi cedo, mas não levei a praticar. Me lembro de palavras que me mostraram onde errei, mas nunca foram essas que me ajudaram a levantar e fazer o certo. Então a culpa, de estar errando e não agindo.
Enquanto espero a "vontade" aparecer (depois desse livro, depois desse filme, depois desse trabalho, depois que o sol aparecer, depois...), tudo continua perfeitamente igual em desordem. Longe de uma mesa e de um papel, indiferença e a espera de que algo caia dos céus e mude tudo de vez. Tolice repetida tantas vezes, então como escrever de novo sem ficar com a cara vermelha de vergonha? Sempre que tenho pesadelos, escolho acordar antes de uma morte que não posso ver, como se fosse ficar preso naquele sonho para sempre e nunca mais levantar se o monstro me alcançar, apesar da espada afiada que sempre seguro em minhas mãos.
Preciso estar me preparando a todo tempo novamente, como quando cheguei aqui. Não existem caminhos inesperados e as aventuras ficaram em memórias divididas com fantasmas antes dos dezenove.
Ainda assim, agora sente novamente, com vontade de falar sobre seus olhos, seus beijos e nossos abraços que nunca deveriam terminar. Sobre suas palavras fortes e de seus punhos cerrados com tanta força, que desejam esmurrar os tetos brancos e monótonos que desabam sobre sua cabeça todos os dias, dias que se perdem em datas, horários e contagens regressivas que nunca acabam.
Então eu tento parar e ouvir, ver e agir quando Não me sentir pronto. Estar pronto é uma grande idiotice que quem nunca esteve pronto inventou para falar que é melhor que todo mundo quando conseguiu alcançar seus objetivos pequenos e egoístas. Ninguém vai falar que somos fracos, mas parece que sozinhos nunca nos sentimos fortes.
A vontade é uma praga, pois o que já não tenho vontade nenhuma é de me expor, nunca mais, e então nada surge de novo para mostrar para ninguém. Erro. Minhas próprias escritas sou eu mesmo que dou risada das pretensões disfarçadas de humildade de um garoto que passou a maior parte de sua vida protegido por mais do que quatro paredes. Não havia perigo nenhum, nunca há, aprendi cedo, mas não levei a praticar. Me lembro de palavras que me mostraram onde errei, mas nunca foram essas que me ajudaram a levantar e fazer o certo. Então a culpa, de estar errando e não agindo.
Enquanto espero a "vontade" aparecer (depois desse livro, depois desse filme, depois desse trabalho, depois que o sol aparecer, depois...), tudo continua perfeitamente igual em desordem. Longe de uma mesa e de um papel, indiferença e a espera de que algo caia dos céus e mude tudo de vez. Tolice repetida tantas vezes, então como escrever de novo sem ficar com a cara vermelha de vergonha? Sempre que tenho pesadelos, escolho acordar antes de uma morte que não posso ver, como se fosse ficar preso naquele sonho para sempre e nunca mais levantar se o monstro me alcançar, apesar da espada afiada que sempre seguro em minhas mãos.
Preciso estar me preparando a todo tempo novamente, como quando cheguei aqui. Não existem caminhos inesperados e as aventuras ficaram em memórias divididas com fantasmas antes dos dezenove.
Ainda assim, agora sente novamente, com vontade de falar sobre seus olhos, seus beijos e nossos abraços que nunca deveriam terminar. Sobre suas palavras fortes e de seus punhos cerrados com tanta força, que desejam esmurrar os tetos brancos e monótonos que desabam sobre sua cabeça todos os dias, dias que se perdem em datas, horários e contagens regressivas que nunca acabam.
Então eu tento parar e ouvir, ver e agir quando Não me sentir pronto. Estar pronto é uma grande idiotice que quem nunca esteve pronto inventou para falar que é melhor que todo mundo quando conseguiu alcançar seus objetivos pequenos e egoístas. Ninguém vai falar que somos fracos, mas parece que sozinhos nunca nos sentimos fortes.
16.5.16
Dançamos no chão.
Céu em verde e anil, possível.
O corpo acordava com mais vontade, após passarem a noite afogando-se em verdades bonitinhas no chão sujo. Não ligavam.
A mesma paisagem te carrega, no balanço de uma magia antiga, silenciosa, amendrotada. No destino, a dúvida permanente do lar, vórtex.
Não buscava fuga, encontrou muito mais.
Não abrem a boca então, pouca necessidade. O que se quer escrever sai com o tempo.
Um livro bordado, com uma capa negra como os cabelos que se enroscam. Páginas que deverão ser lidas com calma. Se devorar todo de uma vez, acaba a graça.
Quem sabe como ler, navega mais fácil até você.
Vão pelo rio.
Mãos apertadas e a trilha sonora são eles mesmos que compõem.
Encharcados de suor e movimento.
O corpo flutua leve então e a culpa é tua, que ignora o peso das malas.
Sombras vermelhas percorrem as paredes, atrás da montanha, a bola de fogo tradicional aquece o mundo inteiro em laranja, enquanto todo o resto é fogo.
Não se esconderão.
Preparam-se para lutar.
O corpo acordava com mais vontade, após passarem a noite afogando-se em verdades bonitinhas no chão sujo. Não ligavam.
A mesma paisagem te carrega, no balanço de uma magia antiga, silenciosa, amendrotada. No destino, a dúvida permanente do lar, vórtex.
Não buscava fuga, encontrou muito mais.
Não abrem a boca então, pouca necessidade. O que se quer escrever sai com o tempo.
Um livro bordado, com uma capa negra como os cabelos que se enroscam. Páginas que deverão ser lidas com calma. Se devorar todo de uma vez, acaba a graça.
Quem sabe como ler, navega mais fácil até você.
Vão pelo rio.
Mãos apertadas e a trilha sonora são eles mesmos que compõem.
Encharcados de suor e movimento.
O corpo flutua leve então e a culpa é tua, que ignora o peso das malas.
Sombras vermelhas percorrem as paredes, atrás da montanha, a bola de fogo tradicional aquece o mundo inteiro em laranja, enquanto todo o resto é fogo.
Não se esconderão.
Preparam-se para lutar.
22.4.16
Os dias encharcados.
Existe um interminável redemoinho
Onde todos nós não conseguimos mais nos ver
Nunca conseguiremos nos ver
Arrasador, violento, nebuloso
Raios e trovões, a família completa e feliz
Inesperado abraço
Nossos maravilhosa falta de assunto
a qual não estava acostumado
Caótico território nação, cidade-estado
Neblina colorida, mas nosso sangue
Igual
Heróis abatidos, gargantas inflamadas
(será que alguém vai nos ver depois?)
Atiram-se flashs
Vamos nos orgulhar depois.
Onde todos nós não conseguimos mais nos ver
Nunca conseguiremos nos ver
Arrasador, violento, nebuloso
Raios e trovões, a família completa e feliz
Inesperado abraço
Nossos maravilhosa falta de assunto
a qual não estava acostumado
Caótico território nação, cidade-estado
Neblina colorida, mas nosso sangue
Igual
Heróis abatidos, gargantas inflamadas
(será que alguém vai nos ver depois?)
Atiram-se flashs
Vamos nos orgulhar depois.
1.4.16
kairosclerosis.
É uma corrida de pássaros brancos em rasante. As cinco da tarde, o veloz reflexo de um Paraguassu poluído. Asas cor-de-nuvem perdem-se na contagem dos membros da passarinhada, e o vento que elas atiram em todas as direções atinge todas as folhas da orla. Vinhas balançam, e nossos olhos encontram o mesmo ponto fixo da paisagem. Para cada par de olhos, a infinitude das diferenças, de pensamentos, vivências, experiências, histórias, vontades. Por fora, a redoma de céu em comum.
Desce a lua, entram as gotas de água na janela.
Fora do plano.
Tudo que você e eu não poderíamos esperar.
A voz rouca do punk de dentro das caixas de som tenta puxar conversa, entra em loop. Perdidos em sua sauna particular, aprendem a música na primeira vez. Acordam juntos pela primeira vez. A correnteza do rio na frente do bar, na frente da praça, na ponta do mundo.
liberosis.
-o desejo de se importar menos com as coisas.
opia.-a intensidade ambígua de estar encarando o olho de alguém, e sentir simultaneamente invasivo e vulnerável.
(x)
Desce a lua, entram as gotas de água na janela.
Fora do plano.
Tudo que você e eu não poderíamos esperar.
A voz rouca do punk de dentro das caixas de som tenta puxar conversa, entra em loop. Perdidos em sua sauna particular, aprendem a música na primeira vez. Acordam juntos pela primeira vez. A correnteza do rio na frente do bar, na frente da praça, na ponta do mundo.
liberosis.
-o desejo de se importar menos com as coisas.
opia.-a intensidade ambígua de estar encarando o olho de alguém, e sentir simultaneamente invasivo e vulnerável.
(x)
a Fênix em fúria festiva.
Você não sabe o quanto canto.
Durante todo dia.
Não posso dar dois passos, não sei dançar.
Nunca deixo de dançar, por mim.
Leva-me no baile, vestido todo de preto.
Algodão e gravata.
Nunca o isqueiro saiu daquele bolso.
Durante a vida inteira, um detalhezinho.
Chamaram todos que gostavam da gente
para que pudessem assistir tudo pegar fogo.
Seu braço, num arco luminoso,
a Fênix.
em fúria festiva.
Alegria, alegria.
Haviam os que sorriam novamente.
E quem havia ficado.
Naquele mesmo instante,
veio o mar inteiro.
Todo dia agora chove.
Amendoeira no topo do morro.
O pescoço, sem um arranhão.
O único som no entanto, leve brisa debaixo da sombra.
Grama balançando.
Gente balançando na frente.
Candombá floresce.
Durante todo dia.
Não posso dar dois passos, não sei dançar.
Nunca deixo de dançar, por mim.
Leva-me no baile, vestido todo de preto.
Algodão e gravata.
Nunca o isqueiro saiu daquele bolso.
Durante a vida inteira, um detalhezinho.
Chamaram todos que gostavam da gente
para que pudessem assistir tudo pegar fogo.
Seu braço, num arco luminoso,
a Fênix.
em fúria festiva.
Alegria, alegria.
Haviam os que sorriam novamente.
E quem havia ficado.
Naquele mesmo instante,
veio o mar inteiro.
Todo dia agora chove.
Amendoeira no topo do morro.
O pescoço, sem um arranhão.
O único som no entanto, leve brisa debaixo da sombra.
Grama balançando.
Gente balançando na frente.
Candombá floresce.
22.3.16
Tudo que já foi dito.
Surgem tons de baixo.
Aqueles dedos
em nada são originais.
Mesmo som.
Surgem músicas
jamais idênticas.
Polegares
pressionam-se.
Apenas um cílio.
E dessa vez,
de novo - o desejo é o mesmo.
Tudo que já foi dito
sempre será repetição
de tudo que já sentíamos
muito antes de nos conhecermos.
Vê-se verdade.
Aqui, a origem.
Luas circulares
refletem-se, encaram-se.
O espaço negro.
O cabelo negro.
Tudo que já foi dito
nunca será igual.
Flocos de neve
em solo brasileiro.
Um pulmão afoga outro.
Costelas
ficam vermelhas.
Entre homoplatas
o caminho que suas unhas rasgam.
não são palavras.
Aqueles dedos
em nada são originais.
Mesmo som.
Surgem músicas
jamais idênticas.
Polegares
pressionam-se.
Apenas um cílio.
E dessa vez,
de novo - o desejo é o mesmo.
Tudo que já foi dito
sempre será repetição
de tudo que já sentíamos
muito antes de nos conhecermos.
Vê-se verdade.
Aqui, a origem.
Luas circulares
refletem-se, encaram-se.
O espaço negro.
O cabelo negro.
Tudo que já foi dito
nunca será igual.
Flocos de neve
em solo brasileiro.
Um pulmão afoga outro.
Costelas
ficam vermelhas.
Entre homoplatas
o caminho que suas unhas rasgam.
não são palavras.
14.3.16
Dez segundos.
You stare me.
I don't know for how much long.
And there is nothing I can do about it.
Our fucking mouths won't open.
Thank god.
We don't need to get it open.
You stare at me
And I stare back.
I can't look away
Everything's doing just fine, you know?
We grow.
Alone;
Together
Other people to help.
Ourselves.
Themselves.
I stare you
I'm okay, do you know her?
She's fuckin nice, she's fucking good.
Thats nice, you tell me.
It's him, do you know him?
You doing just fine
You too
That's good, you know?
So I'll be good.
No matter the fucking what.
We're good.
We grow
You stare me.
Never a word,
Thank god.
Who needs that shit
What could our mouths do better?
They only fuck it up.
Everything gets a meaning
And maybe
I need some from the unknown.
My guess.
I'm sorry
I get it.
I, I, I. You seem to be doing just fine.
Your life.
What a concept.
Lines that go apart.
You stare at me.
With a smile.
In ten years, will we be smiling?
I really hope so.
;but everybody hoped so.
Doesn't bother me.
We stare each other.
Theres nothing that our mouths could do any better.
I think we will pretend
No one ever saw each other
tonight.
9.3.16
Energizará.
Uma semente plantada, que só pode ter ido parar ali através do cuspe
involuntário durante as palavras que dizia. O tempo passa. Dura apenas
um segundo. Ele não sabe por que teve a iniciativa. As luzes piscavam
coloridas mas foi debaixo das nuvens que bloquearam o caminho um do
outro.
Parte da culpa daquilo tudo era devido a um pássaro
dourado que permanecia dentro do bolso de um dos que dançavam.
Permanecia cantando e espalhando a canção durante aqueles dias
encantados de coragem e poesia. Foram feitos juramentos de que nunca
mais nenhum dedo iria ser vítima de outro terrível incidente de
super-cola. Nunca mais, depois da tragédia de '73, nada deveria estar
colado com tanta força a nada, no novo pequeno mundo. Alguém esqueceu de
perguntar se todos concordavam também.
No solo, uma folha
brotou do enlameado dourado e desestruturou museus, palácios e
castelos, ainda que não possuísse raízes. Haveria de ser podada. Tá tudo
bem, não precisa se explicar, faz o que tem que fazer. OK (essa planta
cresceu?).
Dias tornaram-se noites, noites tornaram-se
dias e uma das pessoas que dançava colocou suas calças para lavar. Não
sacudiu os bolsos. Percebeu apenas meses depois, quando todos os móveis
de todos os quartos definiram que queriam ficar parados onde foram
colocados pela primeira vez, já que as mudanças nunca eram respeitadas
mesmo.
A árvore cresce, e surpreende com o aparecimento
inesperado de frutos coloridos. Pássaros dourados recuperarão seu
alimento preferido.
7.3.16
mais universal
O estado de não dormir
É muito parecido com o estado de estar no ônibus.
Distantes de algo que escreva.
1.3.16
Labaredas.
Chego a dar risada de nervoso. A embreagem deu problema no meio da estrada e isso provavelmente vai ser bastante traumático: Acidentes em alta velocidade normalmente são. Não, não sei sobre nada de santo nenhum, mas é culpa é minha mesmo, eu juro, que teve todo tipo de gente pra tentar me ensinar. Se eu não te ensinar passo-a-passo como foi que tudo aconteceu, senhor, você não poderá entender da forma que eu preciso que você entenda, senhor.
Quebra-se um anel nesse momento, amassado pela janela. Um acidente de falta de atenção de todos. A culpa é minha mesmo, eu juro! Te juro que eternamente, por toda a eternidade, congelo aqui mesmo, inteiro para ti. Perpétuo instante que se repete e se repete em voltas de arcos de janelas, iluminadas apenas pelo amanhecer azul e seus olhos de lua. Encontrei mais um daqueles padrões que só servem pra uma pessoa, por se tratar de algo muito especifico e pessoal: Os objetos idênticos, antes de qualquer contato. Formigas ruivas, peixinhos de ouro.
Acordo após uma experiência de não-descanso. Nada faço. Desabafo.Tirar o tempo de atraso carregando uma pedra pelas cordas.Obrigatoriedades, maturidades, casco, casulo. As mesmas palavras de sempre, revisitadas. Definitivamente reescritas. Infinitas páginas já se perderam em minhas gavetas. Não depende da durabilidade da tinta ou das possíveis labaredas, nunca perderei a sensação que seus parágrafos transmit(iam)(iram)(irão) no primeiro momento que os li.
Questiona-se um motivo apaixonado, e algo mágico se esvai.
Da próxima vez eu vou escrever sobre algo mais universal.
Quebra-se um anel nesse momento, amassado pela janela. Um acidente de falta de atenção de todos. A culpa é minha mesmo, eu juro! Te juro que eternamente, por toda a eternidade, congelo aqui mesmo, inteiro para ti. Perpétuo instante que se repete e se repete em voltas de arcos de janelas, iluminadas apenas pelo amanhecer azul e seus olhos de lua. Encontrei mais um daqueles padrões que só servem pra uma pessoa, por se tratar de algo muito especifico e pessoal: Os objetos idênticos, antes de qualquer contato. Formigas ruivas, peixinhos de ouro.
Acordo após uma experiência de não-descanso. Nada faço. Desabafo.Tirar o tempo de atraso carregando uma pedra pelas cordas.Obrigatoriedades, maturidades, casco, casulo. As mesmas palavras de sempre, revisitadas. Definitivamente reescritas. Infinitas páginas já se perderam em minhas gavetas. Não depende da durabilidade da tinta ou das possíveis labaredas, nunca perderei a sensação que seus parágrafos transmit(iam)(iram)(irão) no primeiro momento que os li.
Questiona-se um motivo apaixonado, e algo mágico se esvai.
Da próxima vez eu vou escrever sobre algo mais universal.
11.2.16
Urgência geracional.
Já é fevereiro e eu pouco escrevo. Ou pouco posto. Eu não lembro dos motivos, encontro desculpas em formas de vida. (Sempre) em novos olhos, o mundo, eu ainda busco amadurecer sozinho? Que decisão abobalhada. Segue em sua direção e corre então, peixe.
Não gosto de protagonizar meus dramas sem importância e tão mesquinhos (todo mundo já ouviu demais sobre o homem branco "sentimental"). A vida é tanto mais que isso. No lado de dentro que vivi(vivo?) a tanto tempo, constantemente sinto que Não Sei. E todo mundo é tão melhor, todo mundo é tão bacana -mas também sem exageros.
Saudosismo por veneno não terei. E em outros sentidos, continuo tendo. Mas meu sapato esgota a sola em menos de um semestre e eu acho é pouco! Toda vontade que há no mundo é nossa. Chegaremos, olhos fechados, destruiremos tudo que houver pela nossa frente enquanto no fundo o barulho dos tambores será ensurdecedor.
Mas ainda segue a próprio sombra sem perceber e finge emoções que muitas vezes não sente. "Eu não vou destruir mais nada", disse Ralph. Tudo que vocês me deram eu sou também. Só rodeado de gente que se resolve. Gente que me lembre, eu quero estar pertinho, pertinho.
Escrevo tudo de novo, cansado, pensando em você, na rotina que nos afasta.
De repente eu vejo todos aqueles momentos que fariam qualquer um sentir aquela inveja boa. Aquela pena. Felicidade, família. Ela dura. Então eu entendo, sem sentir que é tarde demais, por sorte e por aviso. Vamos sentar juntos, fumar um baseado e escutar de Muddy Walters a Josh Homme. Eu garanto que você não está sozinho.
Não gosto de protagonizar meus dramas sem importância e tão mesquinhos (todo mundo já ouviu demais sobre o homem branco "sentimental"). A vida é tanto mais que isso. No lado de dentro que vivi(vivo?) a tanto tempo, constantemente sinto que Não Sei. E todo mundo é tão melhor, todo mundo é tão bacana -mas também sem exageros.
Saudosismo por veneno não terei. E em outros sentidos, continuo tendo. Mas meu sapato esgota a sola em menos de um semestre e eu acho é pouco! Toda vontade que há no mundo é nossa. Chegaremos, olhos fechados, destruiremos tudo que houver pela nossa frente enquanto no fundo o barulho dos tambores será ensurdecedor.
Mas ainda segue a próprio sombra sem perceber e finge emoções que muitas vezes não sente. "Eu não vou destruir mais nada", disse Ralph. Tudo que vocês me deram eu sou também. Só rodeado de gente que se resolve. Gente que me lembre, eu quero estar pertinho, pertinho.
Escrevo tudo de novo, cansado, pensando em você, na rotina que nos afasta.
De repente eu vejo todos aqueles momentos que fariam qualquer um sentir aquela inveja boa. Aquela pena. Felicidade, família. Ela dura. Então eu entendo, sem sentir que é tarde demais, por sorte e por aviso. Vamos sentar juntos, fumar um baseado e escutar de Muddy Walters a Josh Homme. Eu garanto que você não está sozinho.
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