10.7.16

vontade de estar pronto.

É difícil colocar uma caneta na mão depois de tanto tempo sem vontade, e querer exigir de si as palavras e frases mais bonitas e bem formuladas quando se quer falar das coisas mais simples que todo mundo já sentiu, já passou, já falou sobre e principalmente, já escreveu. Não entendo ainda de onde as comparações surgem em nossas cabeças, mas não deixo de pensar nelas e me sinto ainda mais burro por isso.

A vontade é uma praga, pois o que já não tenho vontade nenhuma é de me expor, nunca mais, e então nada surge de novo para mostrar para ninguém. Erro. Minhas próprias escritas sou eu mesmo que dou risada das pretensões disfarçadas de humildade de um garoto que passou a maior parte de sua vida protegido por mais do que quatro paredes. Não havia perigo nenhum, nunca há, aprendi cedo, mas não levei a praticar. Me lembro de palavras que me mostraram onde errei, mas nunca foram essas que me ajudaram a levantar e fazer o certo. Então a culpa, de estar errando e não agindo.

Enquanto espero a "vontade" aparecer (depois desse livro, depois desse filme, depois desse trabalho, depois que o sol aparecer, depois...), tudo continua perfeitamente igual em desordem. Longe de uma mesa e de um papel, indiferença e a espera de que algo caia dos céus e mude tudo de vez. Tolice repetida tantas vezes, então como escrever de novo sem ficar com a cara vermelha de vergonha? Sempre que tenho pesadelos, escolho acordar antes de uma morte que não posso ver, como se fosse ficar preso naquele sonho para sempre e nunca mais levantar se o monstro me alcançar, apesar da espada afiada que sempre seguro em minhas mãos.

Preciso estar me preparando a todo tempo novamente, como quando cheguei aqui. Não existem caminhos inesperados e as aventuras ficaram em memórias divididas com fantasmas antes dos dezenove.
Ainda assim, agora sente novamente, com vontade de falar sobre seus olhos, seus beijos e nossos abraços que nunca deveriam terminar. Sobre suas palavras fortes e de seus punhos cerrados com tanta força, que desejam esmurrar os tetos brancos e monótonos que desabam sobre sua cabeça todos os dias, dias que se perdem em datas, horários e contagens regressivas que nunca acabam.

Então eu tento parar e ouvir, ver e agir quando Não me sentir pronto. Estar pronto é uma grande idiotice que quem nunca esteve pronto inventou para falar que é melhor que todo mundo quando conseguiu alcançar seus objetivos pequenos e egoístas. Ninguém vai falar que somos fracos, mas parece que sozinhos nunca nos sentimos fortes.

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