Era aniversário de um tanto de coisas. Era o refluxo de um tanto de memórias, de sentimentos. Lembranças cheirosas, suadas, carregadas com sonhos e planos que desmoronaram-se sozinho. Não há culpa em ninguém. Também se lembra o início daquela vida. Foi neste mesmo dia que entrou numa van as 3 da manhã e foi trabalhar pela primeira vez. Os fios de cabelo que ficassem na cama. Era hora de se dedicar sozinho. Mas depois que o trabalho acabou, a mente se esvaziou e um tanto de pensamentos tristes haviam lhe tomado.
Que sorte ter tantos companheiros com quem pudesse gritar todas as verdades que temia em admitir, e guardava para si.
Levantou e fugiu de sorrisos o dia inteiro. Só colocou músicas tristes. Afinal, o dia com certeza nunca seria tão especial como já foi.
Aquela melancolia perdeu todo seu espaço, junto com as danças que via as pessoas fazerem. Arranjou conversas com quem nunca havia trocado olhares. Buscou em suas piadas, risadas e força. Venceu de vez, quando pediu abraços e explicou o porquê da cabeça baixa. Fez o seu melhor para fazer com que rissem junto com ele. Perdeu a voz de tanto gritar. Se ajeitou na cadeira e olhava discretamente para um novo sorriso.
Un! Deux! Trois! Dis: Miroir Noir!
Black Mirror!
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