Sonhou com os olhos na parede e na voz que lhe apareceu quando o sol ficou em cima da janela. Chorou durante o banho, pra não contar pra si mesma que aquelas águas eram suas. Preparou os dias e se decepcionou com a rotina que lhe tomou conta. Buscou palavras para conseguir bons dias de quem lhe aponta armas nas costas e possui mínima vontade de saber o que acontece além de si. Fingiu que aquele dia foi o suficiente para lhe fazer ficar bem.
Reclamou do lixo, das poças, dos buracos, dos palavrões, das cantadas, do gosto da comida, da vassoura, do cachorro, do sapato, das roupas, da mochila, da carteira (principalmente) e convenceu a si mesma que não lhe querem bem.
Busca motivos, mas não abre mais as gavetas.
Vai ser melhor que eles, basta ser mais responsável como eles não são. Basta tudo. Basta, tudo!
Acima de tudo, .
Acima de tudo,
as águas não são minhas. Nunca serão.
Um comentário:
Adorei. Você escreve bem pra porra, moço.
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