Tudo começou ali. Você desapareceu. Mesmos programas, mesmos olhares, monotonia, nuvens e quadrinhos japoneses. Mesmos assuntos, mesmos sorrisos, e você sabe. Todos sabem. Não importa de que jeito, pra resolver, só quando você abre a boca.
Abre a boca e fala criatura! Porque assim você desaba. Desaba como uma cachoeira, e no momento que água cai, você volta a ficar bela, e deixa de ser aquele monte de pedras escuras cheias de limo. E quando a pedra desaba, ah, mas que cores bonitas que aparecem lá atrás.
Olha pra trás, tem tanta gente pra te segurar. Nem dor, você vai sentir. Eles tão ali pra isso mesmo. Pra te colocar no ar. Pra você saber como é existir. Existência sem pecado, não existe. A culpa, do nosso pecado capital favorito.
E aquela culpa que você tinha, num instante irá passar. Vai, vai, vai passar. Porque era natural, mas não podia acontecer. Agora pode.
Me desculpe, mas não foi você que disse. Fui eu que desejei que fosse falado, só pra tudo acabar. Me desculpe mas, era assim mesmo e nós já sabíamos, tentando forçar o que não era nada de mais. Me desculpe, mas te olharei do mesmo jeito, sempre que eu te vir.
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