24.9.10

Inspiração mesmo

        Que falta. Arranco mais uma folha de papel, hachurada, de longe somente cinza. Você não ia ver. Então pra quê vou escrever sobre isso? Folha em branco, contornada por vultos vazios, olhos, pés, e mais aquelas coisas que gosto de repetir. Sentido, que falta. Controle também. O pedaço de madeira  de 0,8ml simplesmente desliza, mas minha habilidade não chega nem perto da minha mente, e o seu rosto fica feio, muito oposto da realidade.
      Amasso, jogo no lixo azul que me assiste. Recoloco minhas costas no tronco da árvore. Olho pra trás. Você não está lá. Ninguém entende, sentido, falta. Estico meus pés num banco paralelo. Troco de objeto, agora definitivo, tinteiro, mais rápido. Dobro meus joelhos e apoio o papel sobre ele. As palavras não vem,  novamente, olhos, mãos e pés se misturam. Então procuro enxergar aquilo que fiz. Sou viciado no seu toque. No seu tato. Do seu olhar. E fico novamente confuso. É por você que tenho passado noites em claro? Talvez, não sei. Está faltando alguma coisa. Meus dedos novamente apóiam o cilindro milimétrico e continuam a se mexer freneticamente. E as palavras saêm, sem se importar se você vai ler ou não.
      Saêm, loucas, sem sentido, desenfreadas, porque só precisavam ser postas pra fora. E agora que já têm um motivo, são explodidas num pedaço retangular branco, formando, em em nove caracteres, tudo que eu quero dizer.

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