25.2.11

Filme de terror.

          Eu imaginei as pessoas correndo. Loucas, sangrando, vomitando, defecando em cada esquina. Imagino seres no meio de uma tragédia. A morte, aos braços voando, os pés rolando, as cabeças estouradas, com um olho só. Consigo ver balas estourando o lado do peito de uma pessoa. Um amigo meu. Perdão. Todos os meus amigos. Morreu todo mundo nesse meu devaneio insano. Era um céu azul. Era lindo. Sem nenhum pássaro, eles já voaram a tempo, tanto barulho. Bicho esperto. Deixa o trabalho todo pra gente. Nem urubu desce aqui, com medo. Eu nessa história, estava em cima do prédio. Vendo os corpos dos mortos, deitados, dos vivos, correndo. Sentindo o calor nos meus poros. Escutando as explosões, estouros, gritos. Saboreando e cheirando o ferro.
       Nesse momento, eu estava rodeado de amigos, na mesma calmaria de sempre. Estava do seu lado. E imaginei tudo isso. Comecei a rir baixinho. Me afastei e fui andar um pouco. Ri mais alto. Naquele momento de depressão, típico de um adolescente, bem que meu devaneio podia ser verdade.

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