E lá vou eu de novo. A nanquim na minha mão ainda nem de longe se cansou de escrever, mas eu não sei mais sobre o que falar. Os dias passarão registrados enquanto houverem registros. Se marcam aqueles que eu não conseguir lembrar. E lá vou eu de novo, apostilas na mesa, caderno cheio de anotações que não serão conferidas de novo. E quanto mais me planejo, mais me programo, mais fico sem tempo. Tenho seis horas para fazer tudo e desde sempre, não consigo fazer nada. Mas faço de tudo, sem nunca me aperfeiçoar.
Lá vou eu de novo, deitando no chão e alcançando meus próprios joelhos. Quanta vezes já me prometi? Quanto já não me comprometi? Deito de vez, me dou tapinhas de compensação pelo esforço. Quando levanto, o chão está molhado, mas não me sinto diferente. Queria um passe de mágica, assim como todos. Todos. A injustiça de não sermos atingidos por uma aranha radioativa.
"Que bom que poucos conseguem fazer arte, pois se tudo fosse arte, nada seria arte". Concordo com pesar de quem não consegue fazer.
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