3.3.15

Tudo é personagem.

      Enquanto este largo carro me carrega pela estrada pela milionésima vez, o mesmo caminho que nunca decorei se demonstra misterioso e carregado de pequenos amores. Observo entre uma planificação e outra, numerosos e pequeninos vilarejos. Pessoas, famílias, amigos, que por algum motivo e momento de suas histórias de vida pessoais, resolveram que estavam bem ali, isolados de todo um mundo onde talvez seja muito mais fácil viver. Uma cidadela composta por uma única rua. Cachorros, gatos, crianças, senhoras, velhos, contemplam. Adultos passageiros carregam o cimento de uma casa até outra. Observo, paisagista e busco inventar histórias. Onde bois e vacas pastam isolados, ignoram as cercas que eu vejo. Existirá um fazendeiro de fato, ou os animais estão apenas ali para compor a pintura? O longo carro continua a me levar entre casas, enquanto desejo que minhas pequenas indagações infantis continuem me ajudando no meio do caminho.

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