23.5.17

cadernos e canetas

a memória e o corpo
sentados em um sofá que amanhece violeta
cor que sempre gostei
tinham me feito esquecer
que existem as máquinas do tempo
daquelas que só precisamos e podemos sorrir
tentar entender
ouvir aquele que escreve coisas tão dramáticas,
enquanto confessa honestamente
e agora faz tudo parecer um nó desfeito de novo
quando ele anotava sobre os dias,
as pessoas e o que queria fazer ainda
tudo levou de novo ao novo
sempre será engraçado como sempre soube
apesar de todo desespero
o tempo bateu na porta e sentou na mesa
sozinho
junto dos minutos, segundos, horas, dias, semanas
em que a memória olhava para trás
o corpo sempre seguiu pra frente
junto
de quem pudesse ouvir, de quem quisesse falar
nem tudo é culpa, afinal

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