31.5.11

Criado-mudo.

Até o sono chegar. Até a depressão passar. Contar as cores do colchão, contar os móveis, se distrair, pois não voz pra te acalmar. Faz falta como sempre fez. Fechar o olhos, desesperar. Deseperar, sufocado num travesseiro. Sufocado por lembraças felizes que nunca vão ser esquecidas, mas também nunca vão voltar. E que já deveriam ter sido substituídas. Mas depois de um dia de reflexão, percebe-se que não se foram aqueles pensamentos. Um dia inteiro em vão, pois chegou-se a pior conclusão, na pior rima que tinha na gaveta. A gaveta que foi aberta por acidente e que não conseguese fechar de tantos rascunhos perdidos, todos sem jeito, amontoados. Até que sem opção, só resta jogar fora os papéis, mesmo que ainda os queira. Assim fecha.

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