9.3.13

Giz Negro.

Sabemos que somos loucos ao nos identificar com os verdadeiros loucos. Meu nível de loucura não pode ser comparado com o de mais ninguém, até porque isso não existe. Tudo isso. O que existe ontem? Meu cabelo me esquenta na cabeça, minha cabeça derrete junto com minhas paixões, que queimam intensamente sem parar. E quem são os verdadeiros sãos? Seriam os loucos que aceitam viver como nos dizem para viver? Vamos fugir disso. Como fugir disso? Vejo os fogos-de-artifício estourarem na cara do mendigo que sorri enquanto deita. Ele não tem dentes, e não conseguirá mais ter vida, mas pela primeira vez, conseguiu enxergar outras cores além do preto-e-branco. Tem quem corre. Tem quem esquece. Tem quem quer fazer algo mas não tem como. Tem os hipócritas, tem os falsos. Tem os verdadeiros. E tem os honestos filhos da puta. Me devolva meu lápis sem ponta e meu pedaço de pano, antes que o trem os leve para longe. O sol esquenta a ponta do grafite. Seu corpo aparece mais gordo. E tudo continua igual, apesar de toda a loucura. Seremos loucos ao nos identificar com os loucos ou sãos por fugirmos da loucura?

Essa semana li um pouco de Schopenhauer e bastante de Augusto dos Anjos. Hoje assisti Pólvora e Poesia. E agora não sei se faço cênicas ou cinema. Cinema é o que amo. Mas aquele filme foi tão bom.

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